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Equipamentos

Equalizador Para Guitarra: Para Que Serve e Como Usar

11 de fevereiro de 20269 min de leitura
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A ferramenta mais subestimada da pedalboard

Overdrive, delay, reverb, wah. Quando guitarristas pensam em pedais essenciais, o equalizador raramente aparece na lista. E isso é um erro. O EQ é provavelmente a ferramenta mais poderosa e mais negligenciada que um guitarrista pode ter no setup. Enquanto outros pedais adicionam efeitos ao seu som, o equalizador molda o som em si.

Pense assim: você pode ter o melhor overdrive do mundo, mas se as frequências da sua guitarra estão competindo com o baixo ou se perdendo na mixagem da banda, nenhum pedal de distorção vai resolver. O EQ resolve. Ele é a diferença entre um timbre que soa bem sozinho no quarto e um timbre que funciona no contexto de uma banda ao vivo.

Guitarristas profissionais de estúdio sabem disso. Se você olhar as pedalboards dos session musicians mais requisitados, vai encontrar um EQ em quase todas. E não por acaso.

O que é equalização e como funciona

Frequências da guitarra

Todo som é composto por frequências, medidas em Hertz (Hz). A guitarra elétrica produz frequências fundamentais entre aproximadamente 80Hz (corda mi grave, afinação padrão) e 1.2kHz (nota mais aguda no último traste). Mas o som da guitarra não é só a nota fundamental. Cada nota carrega harmônicos, que são frequências múltiplas da fundamental e que se estendem até 6kHz ou mais. Esses harmônicos definem o timbre, o caráter do som.

Um equalizador permite aumentar (boost) ou diminuir (cut) o volume de faixas específicas de frequências. Ao fazer isso, você altera o balanço tonal do instrumento. Mais graves? Corta os agudos e levanta os graves. Som muito abafado? Corta os graves excessivos e enfatiza os médios altos. O controle é seu.

As faixas de frequência que importam para guitarra

  • Sub-graves (abaixo de 80Hz): Frequências que a guitarra praticamente não produz. Geralmente é bom cortar essa faixa para limpar o som e evitar conflito com o baixo.
  • Graves (80Hz - 250Hz): Corpo e peso do som. A "gordura" da guitarra mora aqui. Muita ênfase nessa região e o som fica lamacento. Pouca, e fica magro e sem corpo.
  • Médios graves (250Hz - 800Hz): A região onde a guitarra tem mais energia. Muito boost aqui cria um som "encaixotado" ou "nasal". Cortes sutis nessa região podem limpar bastante o som. Mas cuidado: cortar demais tira a presença da guitarra na banda.
  • Médios (800Hz - 2kHz): A região de ataque e presença. É aqui que a guitarra "corta" a mix. Guitarristas de blues e rock tendem a enfatizar essa região para solos que se destacam sobre a banda.
  • Médios altos (2kHz - 5kHz): Clareza e definição. Quando o som está "abafado" ou "muddy", um pequeno boost nessa região traz tudo de volta. Exagerar causa fadiga auditiva: aquela sensação de que o som é "duro" ou "áspero".
  • Agudos (5kHz - acima): Brilho e ar. Os harmônicos mais altos da guitarra e o ruído dos trastes vivem aqui. Um pouco de agudo dá vida e abertura ao som. Muito agudo causa chiado e aquele som "cortante" que machuca os ouvidos.

Dica

Uma regra de ouro da equalização: é quase sempre melhor cortar o que está sobrando do que levantar o que está faltando. Cortar frequências problemáticas resulta em um som mais natural e limpo do que tentar compensar levantando outras faixas. Menos é mais quando se trata de EQ.

Tipos de equalizador

Equalizador gráfico

O EQ gráfico é o mais visual e intuitivo. Ele divide o espectro de frequências em bandas fixas (geralmente 6, 7 ou 10 bandas), cada uma com um slider que sobe ou desce. A posição dos sliders forma um "gráfico" da sua equalização, daí o nome.

O MXR 10 Band EQ e o Boss GE-7 são os modelos mais populares entre guitarristas. O GE-7 tem 7 bandas (100Hz, 200Hz, 400Hz, 800Hz, 1.6kHz, 3.2kHz, 6.4kHz) e um slider de volume geral. O MXR oferece 10 bandas, cobrindo de 31.25Hz a 16kHz, dando mais precisão.

Vantagens: Fácil de usar, visual imediato da equalização, ótimo para ajustes rápidos ao vivo.

Desvantagens: As frequências são fixas. Se o problema no seu som está entre duas bandas, você não tem controle preciso. Pode introduzir ruído se os sliders forem levantados demais.

Equalizador paramétrico

O EQ paramétrico é a ferramenta cirúrgica. Em vez de bandas fixas, ele permite que você escolha exatamente qual frequência quer ajustar, quanto quer levantar ou cortar, e a largura da faixa afetada (o Q). Três controles por banda: frequência, ganho e largura.

É mais complexo de usar, mas infinitamente mais preciso. Se existe uma frequência ressonante irritante em 1.3kHz, por exemplo, você pode apontar diretamente para ela e cortar sem afetar nada ao redor.

Vantagens: Controle cirúrgico, não afeta frequências desnecessárias, pode resolver problemas muito específicos.

Desvantagens: Curva de aprendizado maior, menos intuitivo ao vivo, geralmente mais caro.

Equalizador semi-paramétrico

O meio termo. Você pode escolher a frequência e o ganho, mas o Q (largura) é fixo. Muitos amplificadores de guitarra têm EQ semi-paramétrico, especialmente os controles de "frequência dos médios" encontrados em cabeçotes como Mesa Boogie Mark series e alguns Fender.

É mais flexível que o gráfico e mais simples que o paramétrico completo. Para a maioria dos guitarristas, um semi-paramétrico resolve 90% das necessidades.

Usos práticos do EQ para guitarra

Corrigir problemas do ambiente

Todo local tem acústica diferente. O som que funciona no ensaio pode ficar horrível no palco. A sala do bar pode enfatizar graves de um jeito que seu timbre fica lamacento, ou o palco ao ar livre pode sugar toda a presença do som. Um EQ permite compensar essas diferenças rapidamente.

Guitarristas que tocam em muitos lugares diferentes consideram o EQ indispensável exatamente por isso. Você chega no local, faz a passagem de som e ajusta o EQ para aquele ambiente específico. Na semana seguinte, em outro lugar, outros ajustes.

Moldar timbres específicos

Quer um som mais gordo para blues? Levante levemente os médios graves e corte um pouco dos agudos acima de 5kHz. Precisa de um timbre cortante para country? Levante os médios altos entre 2kHz e 4kHz e corte os graves abaixo de 150Hz. Som de jazz suave? Corte agressivamente acima de 3kHz e enfatize os médios em torno de 800Hz.

O EQ é como ter dezenas de timbres extras disponíveis sem trocar de guitarra ou amplificador. É a personalização definitiva do som.

Boost para solos

Um dos usos mais populares do EQ entre guitarristas de rock e blues: usar o pedal como boost para solos. A ideia é configurar o EQ com um leve aumento de volume geral e uma ênfase nos médios. Quando chega o solo, você pisa no EQ e seu som ganha presença e volume, cortando acima da banda.

Esse "mid boost" é mais musical que simplesmente aumentar o volume, porque os médios extras fazem a guitarra se destacar no espectro de frequências onde o ouvido humano é mais sensível. Muitos guitarristas preferem esse método a um clean boost simples.

Nota

O famoso "mid scoop" (cortar os médios e levantar graves e agudos) pode soar incrível sozinho no quarto, mas ao vivo, com uma banda, geralmente é desastroso. A guitarra desaparece na mix porque é justamente nos médios que ela precisa estar presente para ser ouvida. Ao vivo, médios são seus aliados.

Compensar diferenças entre guitarras

Você tem uma Les Paul gorda e uma Stratocaster brilhante, mas quer usar as duas no mesmo show sem que o timbre mude drasticamente. O EQ resolve. Configure ajustes diferentes para cada guitarra que compensem suas características tonais, mantendo consistência no som geral.

Outra situação: você ama o som da sua guitarra com captadores humbucker mas precisa de algo mais single-coil para certas músicas. Um EQ pode simular parte dessa diferença cortando graves e levantando agudos. Não é a mesma coisa que trocar de captador, mas quebra o galho.

Limpar o sinal antes de gravação

Se você está gravando guitarra em casa, um EQ pode ser a diferença entre um resultado amador e profissional. Cortar sub-graves desnecessários (abaixo de 80Hz) e agudos excessivos (acima de 8kHz) antes de gravar resulta em uma faixa mais limpa e mais fácil de mixar. O engenheiro de mixagem vai agradecer.

EQ no pedal vs EQ no amplificador

Praticamente todo amplificador de guitarra tem controles de equalização: grave, médio, agudo, e às vezes presença e ressonância. Então por que adicionar um pedal de EQ se o amp já tem?

EQ do amplificador

Os controles de EQ do amplificador afetam o timbre no nível do pré-amp, antes da amplificação de potência. Eles são projetados para funcionar musicalmente com aquele circuito específico. O controle de "treble" de um Fender, por exemplo, não atua na mesma frequência que o "treble" de um Marshall. Cada um foi desenhado para complementar o caráter do amplificador.

A desvantagem é que eles são fixos. Você ajusta o amp para um timbre e ele fica assim a noite toda. Se você precisa de mais médios para o solo mas menos para os riffs, o EQ do amp não ajuda (a não ser que você corra até o amplificador e mexa nos botões).

EQ em pedal

O pedal de EQ adiciona uma camada extra de controle que funciona independente do amplificador. Você pode ligá-lo e desligá-lo com o pé, ter ajustes diferentes para partes diferentes da música e posicioná-lo em pontos estratégicos da cadeia de sinal.

Uma abordagem popular é usar o EQ do amplificador para o timbre base e o pedal de EQ para ajustes situacionais: boost para solos, compensação de ambiente, correção para guitarras diferentes.

Posição na cadeia

O pedal de EQ pode ir em diferentes posições, e cada uma tem um efeito diferente:

Antes do overdrive/distorção: O EQ molda o sinal que vai entrar no pedal de distorção. Mais médios antes do overdrive = mais sustain e crunch nos médios. Menos graves antes da distorção = menos "flub" e mais definição. É uma posição excelente para ajustar como o overdrive responde.

Depois do overdrive/distorção: O EQ molda o timbre já distorcido. Útil para cortar frequências irritantes que a distorção criou ou para dar forma final ao som.

No loop de efeitos do amplificador: O EQ age entre o pré-amp e o power amp. Controla o timbre final antes da amplificação de potência. É a posição preferida de muitos guitarristas profissionais porque afeta todo o som, incluindo a distorção do próprio amp.

Com um multi-efeitos como o [PRODUCT:cube-baby], você pode experimentar diferentes posições de EQ na cadeia virtual sem complicações, testando qual funciona melhor para o seu estilo.

Erros comuns na equalização

Levantar tudo

O instinto de muitos guitarristas é levantar os sliders de tudo que parece "faltando". Mais grave, mais agudo, mais médio. O resultado é um som alto e sem definição, porque quando você levanta tudo, na prática não está enfatizando nada. Além disso, está adicionando ganho desnecessário ao sinal, o que pode causar ruído e feedback.

A abordagem correta é subtrativa: comece com tudo flat (neutro) e corte o que está sobrando. Se os graves estão lamacentos, corte os graves em vez de levantar os médios e agudos. O resultado é mais limpo e mais musical.

Equalizar sozinho

O som que agrada no quarto, com a guitarra sozinha, muitas vezes não funciona com a banda. Sozinho, aquele grave gordo e aquele agudo brilhante soam incríveis. Com baixo, bateria, teclado e vocal, tudo vira uma massa sonora indistinta.

Sempre que possível, ajuste o EQ no contexto da banda. Toque junto com os outros instrumentos e veja onde a guitarra precisa estar. Geralmente, cortar graves para abrir espaço para o baixo e enfatizar médios para a guitarra cortar a mix é o caminho.

Usar o EQ para compensar equipamento ruim

O EQ pode melhorar muito o seu som, mas não faz milagres. Se a guitarra tem captadores ruins, o amplificador é de baixa qualidade ou os cabos estão oxidados, o EQ vai apenas rearranjar frequências ruins de maneiras diferentes. Resolva os problemas na fonte antes de tentar corrigir com equalização.

Não usar os ouvidos

Pode parecer óbvio, mas muitos guitarristas ajustam o EQ pelos olhos em vez dos ouvidos. Olham a posição dos sliders e pensam "isso parece certo" em vez de fechar os olhos e ouvir. A posição visual dos controles não importa. O que importa é o que você ouve. Um ajuste que visualmente parece "errado" pode soar perfeito.

Dica

Uma técnica muito usada por engenheiros de som: para encontrar uma frequência problemática, pegue uma banda do EQ, levante bastante o ganho (uns 10-12dB) e vá varrendo lentamente pelas frequências. Quando encontrar a que soa mais desagradável, corte-a. Essa técnica de "varredura e corte" funciona perfeitamente com EQ paramétrico e semi-paramétrico.

EQ para diferentes estilos musicais

Blues e Classic Rock

O som clássico do blues enfatiza médios. A guitarra precisa chorar, ter presença, e os médios são onde isso acontece. Um leve boost em 800Hz a 1.5kHz, corte sutil abaixo de 100Hz, e agudos naturais (sem cortar nem levantar muito). Se o timbre está duro demais, corte um pouco em 3kHz.

Metal e Hard Rock

Apesar da tradição do "mid scoop" no metal (popularizado por amps Mesa Boogie com o controle de médios em zero), a tendência moderna é manter pelo menos alguma presença de médios. Para riffs pesados, graves controlados entre 100Hz e 250Hz dão peso sem lama. Agudos entre 3kHz e 5kHz dão definição à palhetada. Evite excesso de ganho nos sub-graves.

Funk

O som de guitarra funk é todo sobre brilho e "snap". Corte graves abaixo de 200Hz agressivamente. Enfatize médios altos entre 2kHz e 4kHz para aquele som cortante e percussivo. Agudos entre 5kHz e 8kHz trazem o brilho das cordas que define o funk. Combine com compressão para resultados profissionais.

Jazz

Jazz é escuridão controlada. Corte agudos acima de 4kHz para remover o brilho e o "bite". Enfatize médios graves entre 300Hz e 600Hz para aquele som quente e redondo. Pouco grave para não ficar lamacento. O resultado deve ser um som suave que não agride.

Country

Brilho e clareza. Enfatize médios altos e agudos, corte graves excessivos. O som precisa ser definido e estaladiço, com cada nota perfeitamente articulada. Funciona especialmente bem com um compressor antes do EQ para nivelar a dinâmica.

Vale a pena ter um pedal de EQ?

Se você toca ao vivo em diferentes ambientes, a resposta é sim, sem dúvida. Se você está buscando um timbre específico que seu amplificador sozinho não entrega, sim. Se você quer usar como boost para solos com mais presença, sim. Se você grava em home studio, definitivamente sim.

O EQ não é glamoroso. Ninguém vai olhar sua pedalboard e ficar impressionado com um pedal de equalizador. Mas é o tipo de ferramenta que, uma vez que você entende e começa a usar, se pergunta como viveu sem. Ele não muda o que você toca. Ele muda como o que você toca soa para o mundo. E essa diferença é tudo.

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