O pedal que todo mundo deveria entender
O compressor é provavelmente o efeito mais incompreendido da pedalboard. Diferente de um delay ou um chorus, que você liga e imediatamente ouve uma diferença óbvia, o compressor trabalha nos bastidores. Ele muda a forma como o som se comporta sem necessariamente mudar o timbre - e isso confunde muita gente.
Guitarristas iniciantes costumam ligar um compressor, não ouvir nada de "wow" acontecendo e concluir que é inútil. Mas pergunte para qualquer guitarrista profissional de country, funk, studio ou gospel qual pedal não sai da pedalboard, e o compressor vai estar na lista.
A compressão é uma daquelas coisas que você não nota quando está funcionando bem, mas percebe imediatamente quando faz falta.
O que um compressor faz
Na sua essência, o compressor reduz a diferença entre os sons mais altos e os sons mais baixos do seu sinal. Quando você toca forte, ele diminui o volume. Quando toca suave, deixa passar (ou até aumenta). O resultado é um sinal com dinâmica mais uniforme.
Imagine que você está tocando uma sequência de notas. Algumas você ataca forte, outras são mais suaves, e o volume resultante é inconsistente. O compressor "achata" esses picos, fazendo com que tudo soe mais nivelado.
Mas vai além disso. Ao reduzir os picos, o compressor permite que você aumente o volume geral do sinal (makeup gain) sem que as notas fortes fiquem altas demais. As notas fracas que antes se perdiam agora ficam mais presentes. O sustain aumenta porque as notas que estariam decaindo são "levantadas" pelo compressor. E o ataque das notas ganha uma qualidade percussiva que pode ser ajustada.
Os controles do compressor explicados
Threshold (Limiar)
O threshold define a partir de qual volume o compressor começa a agir. Sinais abaixo do threshold passam sem compressão. Sinais acima são reduzidos. Quanto mais baixo o threshold, mais do sinal é comprimido. Quanto mais alto, apenas os picos mais fortes são afetados.
Threshold baixo: Compressão pesada. Praticamente todo o sinal é afetado. O som fica muito uniforme, quase "espremido".
Threshold alto: Compressão leve. Apenas os ataques mais fortes são controlados. Mais natural e transparente.
Ratio (Razão)
A ratio determina o quanto o sinal é reduzido quando ultrapassa o threshold. Uma ratio de 2:1 significa que, para cada 2dB acima do threshold, apenas 1dB sai. Uma ratio de 4:1 é mais agressiva. Ratios acima de 10:1 são essencialmente limitadores - nada passa do threshold.
Ratio baixa (2:1 a 3:1): Compressão suave e musical. As notas ainda têm dinâmica, mas os extremos são controlados. A escolha para a maioria dos guitarristas.
Ratio média (4:1 a 6:1): Compressão mais evidente. O som fica mais compacto e uniforme. Funciona bem para country e funk.
Ratio alta (8:1+): Compressão pesada. Útil para efeitos específicos ou para garantir que nada estoure no sinal.
Attack (Ataque)
O attack define quanto tempo o compressor leva para agir depois que o sinal ultrapassa o threshold. Um attack rápido comprime imediatamente, controlando o transiente (o "clique" inicial da nota). Um attack lento deixa o transiente passar e só comprime o sustain.
Attack rápido: Controla o transiente. O som perde um pouco de "snap" e fica mais suave. Útil para suavizar palhetadas agressivas.
Attack lento: Preserva o transiente. O "clique" da palheta passa sem compressão, e o sustain é nivelado depois. Cria aquele som percussivo e estaladiço do country e funk. É o ajuste que a maioria dos guitarristas prefere.
Dica
Se o compressor está deixando seu som "sem vida" ou "abafado", o attack provavelmente está rápido demais. Tente deixar o attack mais lento para preservar a articulação natural das notas.
Release (Liberação)
O release define quanto tempo o compressor leva para parar de agir depois que o sinal cai abaixo do threshold. Um release rápido solta o sinal rapidamente, e você pode ouvir o volume "subindo" entre as notas. Um release lento mantém a compressão por mais tempo, criando uma transição mais suave.
Release rápido: Mais transparente em uso geral, mas pode causar "pumping" (o volume sobe e desce visivelmente). Funciona bem para palhetada rápida.
Release lento: Mais suave e menos perceptível. Funciona bem para acordes sustentados e solos. Pode "engolir" passagens rápidas se for lento demais.
Level / Output / Makeup Gain
O compressor reduz o volume do sinal (essa é literalmente a função dele). O controle de level compensa essa redução, restaurando o volume geral. Ajuste para que o volume com o pedal ligado seja o mesmo que com ele desligado - assim você ouve a compressão sem ser enganado pelo volume.
Blend / Mix
Presente em compressores mais modernos, o blend mistura o sinal comprimido com o sinal original (dry). Isso permite uma abordagem chamada "compressão paralela" ou "New York compression": você mantém a dinâmica natural do sinal seco mas adiciona a consistência e o sustain do sinal comprimido. É a forma mais musical e transparente de usar compressão.
Quando usar compressor na guitarra
Country e Chicken Picking
Se existe um gênero que depende de compressão, é o country. Aquele som brilhante, estaladiço e perfeitamente uniforme do chicken picking é impossível sem um bom compressor. O ataque lento preserva o snap de cada nota enquanto a compressão mantém tudo no mesmo nível. Brad Paisley, Brent Mason e Albert Lee são mestres do som comprimido.
Funk
Riffs de funk precisam de consistência rítmica absoluta. Cada nota tem que ter o mesmo peso, o mesmo volume, o mesmo impacto. O compressor nivela tudo, transformando sua mão direita em uma máquina precisa. Nile Rodgers e Jimmy Nolen (guitarrista do James Brown) tinham sons extremamente comprimidos.
Clean Tones em geral
Timbres limpos se beneficiam enormemente de compressão. Sem distorção para mascarar irregularidades, cada variação de dinâmica fica exposta. Um compressor sutil iguala o som e adiciona corpo e sustain a timbres clean.
Solos com sustain
Quer que suas notas sustentem mais? O compressor é a resposta. Ao nivelar o sinal, ele impede que as notas decaiam rapidamente, mantendo-as vivas por mais tempo. Funciona especialmente bem com solos limpos ou com overdrive leve.
Fingerpicking e violão
Quando você toca com os dedos, a variação de volume entre as cordas e entre os dedos pode ser significativa. Um compressor suaviza essas diferenças, criando um som mais equilibrado e profissional.
Gravação
Em estúdio (mesmo home studio), compressão é praticamente obrigatória. O microfone capta tudo - inclusive variações de dinâmica que ao vivo passam despercebidas. Um compressor antes de gravar garante um sinal mais uniforme e mais fácil de mixar.
Quando NÃO usar compressor
Com distortion pesada
Distorção já é compressão, em certo sentido. O clipping do sinal naturalmente nivela os picos. Adicionar um compressor antes de uma distorção pesada pode resultar em um som excessivamente comprimido, sem dinâmica e sem vida. Se você usa high gain, provavelmente não precisa de compressor.
Quando a dinâmica é o ponto
Alguns estilos dependem de grandes variações de dinâmica - blues expressivo, jazz, música clássica adaptada. Se a variação entre tocar forte e tocar suave é parte da expressão musical, compressão excessiva vai trabalhar contra você.
Se o ruído é um problema
O compressor aumenta tudo - inclusive ruído de fundo. Se o seu setup tem chiado, hum ou interferência, o compressor vai trazer esses ruídos para frente. Resolva problemas de ruído antes de adicionar compressão à cadeia.
Nota
Dica de ouro: se você está experimentando compressor pela primeira vez e achando que não faz diferença, tente o seguinte. Ajuste o compressor com bastante compressão (ratio alta, threshold baixo), toque por uns minutos, e então desligue o pedal. A diferença vai ser gritante. Depois, volte para ajustes mais sutis - agora você sabe o que está ouvindo.
O CUVAVE Compressor
O [PRODUCT:compressor] é uma opção direta e eficiente para quem quer adicionar compressão ao setup sem complicação. Com controles intuitivos que cobrem os parâmetros essenciais, ele permite desde compressão sutil para engrossar timbres limpos até compressão mais intensa para country e funk.
O formato compacto é uma vantagem em pedalboards onde espaço é precioso. E a construção robusta garante que ele aguenta os pisões do dia a dia sem reclamar.
Onde colocar o compressor na cadeia
O compressor geralmente vai no início da cadeia, logo depois do tuner:
Tuner → Compressor → Wah → Overdrive → Modulação → Delay → Reverb
A lógica é que você quer comprimir o sinal "cru" da guitarra antes que ele seja processado por outros efeitos. Se colocar o compressor depois do overdrive, por exemplo, ele vai comprimir o sinal já saturado - o que pode funcionar em contextos específicos, mas geralmente é menos musical.
Alguns guitarristas colocam o compressor no loop de efeitos do amplificador, especialmente se usam a distorção do próprio amp. Nessa posição, o compressor age no sinal já pré-amplificado, controlando o volume geral antes do power amp.
Há também quem use dois compressores: um no início da cadeia (para controlar a dinâmica da guitarra) e outro no final ou no loop de efeitos (para nivelar o sinal geral, especialmente útil ao vivo quando você troca entre timbres de volumes diferentes).
Tipos de compressor
VCA (Voltage Controlled Amplifier)
O tipo mais preciso e versátil. Resposta rápida, pouca coloração do sinal, controle exato dos parâmetros. O MXR Dyna Comp e o Boss CS-3 são VCA. É o tipo mais comum em pedais e a escolha para quem quer transparência.
OTA (Operational Transconductance Amplifier)
Parecido com VCA mas com um caráter próprio. O Ross Compressor (e o Keeley Compressor, que é baseado no mesmo circuito) usa OTA. Tem um som levemente mais quente e musical que VCA puro.
FET (Field Effect Transistor)
Emula o comportamento de compressores de estúdio clássicos como o UREI 1176. Rápido, agressivo e com bastante caráter. Não é o mais transparente, mas adiciona uma qualidade percussiva e "viva" ao som que muitos guitarristas adoram.
Optical (Óptico)
Usa um LED e um fotoresistor para controlar o ganho. A resposta é naturalmente suave e lenta, o que resulta em uma compressão muito musical e orgânica. O LA-2A (compressor de estúdio) é óptico, e pedais como o Diamond Compressor emulam esse princípio. Excelente para quem quer compressão que "não aparece".
Compressão além do pedal
Vale lembrar que o compressor de pedal não é a única forma de compressão no setup de um guitarrista. Amplificadores valvulados comprimem naturalmente quando levados a volumes altos. Pedais de overdrive e distortion comprimem o sinal como parte do processo de clipagem. Até os falantes do gabinete têm um tipo de compressão natural.
Entender que a compressão está presente em múltiplas etapas do seu sinal ajuda a dosar: se o amp já comprime bastante, talvez você precise de menos compressão no pedal. Se o setup é todo transistorizado e o som é muito dinâmico, mais compressão pode ser bem-vinda.
O compressor é uma ferramenta de refinamento. Ele não vai transformar um som ruim em bom, mas vai transformar um bom som em profissional. Dedique um tempo para entender como cada controle afeta o seu sinal específico, com a sua guitarra e o seu amplificador. Os resultados valem cada minuto investido.