Acordes abertos: o primeiro passo
Os acordes abertos são chamados assim porque usam cordas soltas (abertas) junto com notas pressionadas. Eles ficam nas primeiras casas da guitarra e são os primeiros que todo guitarrista aprende. Com apenas 8 acordes abertos, você consegue tocar centenas de músicas — do pop ao sertanejo, do rock ao MPB.
Cada acorde tem um "formato" ou "shape" que seus dedos fazem no braço da guitarra. No começo, seus dedos vão reclamar, vão doer, e as cordas vão zunir. Isso é completamente normal. Depois de algumas semanas de prática consistente, seus dedos desenvolvem calos e memória muscular, e tudo fica natural.
Antes de começar, uma convenção importante: os dedos da mão esquerda são numerados assim: - 1 = Indicador - 2 = Médio - 3 = Anelar - 4 = Mindinho
As cordas são numeradas de baixo para cima: a mais fina é a 1ª, a mais grossa é a 6ª.
Os 8 acordes abertos essenciais
Dó maior (C)
O acorde de C usa três dedos: - Dedo 1 na 1ª casa da 2ª corda - Dedo 2 na 2ª casa da 4ª corda - Dedo 3 na 3ª casa da 5ª corda
Toque da 5ª corda para baixo — a 6ª corda fica muda. O segredo do C é manter os dedos bem curvados para não abafar as cordas vizinhas, especialmente a 1ª corda que deve soar aberta.
Ré maior (D)
- Dedo 1 na 2ª casa da 3ª corda
- Dedo 2 na 2ª casa da 1ª corda
- Dedo 3 na 3ª casa da 2ª corda
Toque da 4ª corda para baixo. O D é um acorde compacto, todo concentrado nas três primeiras cordas. A 4ª corda soa aberta como a nota Ré, que é a fundamental do acorde.
Mi maior (E)
- Dedo 1 na 1ª casa da 3ª corda
- Dedo 2 na 2ª casa da 5ª corda
- Dedo 3 na 2ª casa da 4ª corda
Todas as 6 cordas são tocadas. O E é um dos acordes mais sonoros da guitarra justamente por usar todas as cordas. Tem um som cheio e poderoso.
Sol maior (G)
- Dedo 1 na 2ª casa da 5ª corda
- Dedo 2 na 3ª casa da 6ª corda
- Dedo 3 na 3ª casa da 1ª corda
Todas as 6 cordas soam. O G é um acorde grande que abre a mão bastante. No começo pode ser desconfortável, mas é um dos acordes mais usados na música popular.
Lá maior (A)
- Dedo 1 na 2ª casa da 4ª corda
- Dedo 2 na 2ª casa da 3ª corda
- Dedo 3 na 2ª casa da 2ª corda
Toque da 5ª corda para baixo. Três dedos na mesma casa — o desafio aqui é encaixar tudo sem abafar a 1ª corda. Algumas pessoas usam apenas o dedo 1 deitado fazendo uma mini-pestana nas três cordas.
Lá menor (Am)
- Dedo 1 na 1ª casa da 2ª corda
- Dedo 2 na 2ª casa da 4ª corda
- Dedo 3 na 2ª casa da 3ª corda
Toque da 5ª corda para baixo. O Am é muito parecido com o C — na verdade, a diferença é apenas um dedo. Isso torna a transição C → Am uma das mais fáceis que existem.
Mi menor (Em)
- Dedo 1 na 2ª casa da 5ª corda
- Dedo 2 na 2ª casa da 4ª corda
Apenas dois dedos! O Em é o acorde mais fácil da guitarra. Todas as 6 cordas soam. É um acorde com sonoridade melancólica muito usado em rock, pop e MPB.
Ré menor (Dm)
- Dedo 1 na 1ª casa da 1ª corda
- Dedo 2 na 2ª casa da 3ª corda
- Dedo 3 na 3ª casa da 2ª corda
Toque da 4ª corda para baixo. O Dm tem uma sonoridade sombria e dramática. O formato lembra um triângulo pequeno nas primeiras casas.
Dica
Depois de montar cada acorde, toque corda por corda para verificar se todas soam limpas. Se alguma corda zuniu ou ficou muda, ajuste a posição do dedo responsável.
Transições entre acordes
Saber montar cada acorde individualmente é só metade do trabalho. A outra metade — e a mais desafiadora — é trocar de um acorde para outro no tempo da música.
Princípio do dedo-guia
Sempre procure dedos que ficam no mesmo lugar (ou perto) entre dois acordes. Esse dedo funciona como âncora durante a transição:
- C → Am: O dedo 1 fica exatamente no mesmo lugar (1ª casa, 2ª corda). Só mova os dedos 2 e 3.
- Am → E: O dedo 1 sai, mas os dedos 2 e 3 mantêm o mesmo formato, só mudam de corda.
- G → C: O dedo 3 sai da 1ª corda e o dedo 2 desce. Pratique esse movimento como um único gesto.
- D → A: Transição mais complexa. Pratique levantando todos os dedos e montando o A de uma vez.
Exercício de troca (1 minuto)
Escolha dois acordes. Configure um timer de 1 minuto. Troque entre os dois acordes o maior número de vezes possível, tocando todas as cordas a cada troca. Anote quantas trocas limpas você conseguiu. Na semana seguinte, tente bater seu recorde.
Faça isso com todos os pares de acordes que estiver praticando. É simples, direto e funciona.
Nota
A velocidade da troca vem da antecipação. Enquanto toca um acorde, seus dedos já devem estar se preparando para o formato do próximo. Pense no próximo acorde antes de chegar nele.
Introdução aos acordes com pestana
Depois de dominar os acordes abertos, o próximo grande marco é a pestana (ou barra). Aqui, o dedo indicador deita sobre todas as cordas em uma casa, funcionando como um capotraste móvel.
O acorde de Fá maior (F) — a primeira pestana
O F com pestana é o terror dos iniciantes, mas vale cada segundo de esforço:
- Dedo 1 faz pestana na 1ª casa (todas as cordas)
- Dedo 2 na 2ª casa da 3ª corda
- Dedo 3 na 3ª casa da 5ª corda
- Dedo 4 na 3ª casa da 4ª corda
O formato por trás da pestana é idêntico ao E aberto. Essa é a mágica: a pestana transforma acordes abertos em acordes móveis. O formato de E com pestana na 1ª casa = F. Na 3ª casa = G. Na 5ª casa = A.
Dicas para a pestana funcionar
- Posição do polegar — Coloque o polegar no meio do braço, atrás do dedo 1. Isso dá alavanca para a pestana.
- Use a lateral do indicador — Não deite o dedo completamente. Use a parte lateral, que é mais dura e firme.
- Pressão certa — Não esmague as cordas. Encontre o mínimo de pressão que faz todas as notas soarem.
- Pratique perto do traste — Quanto mais perto do traste de metal, menos força é necessária.
- Dê tempo ao tempo — A pestana pode levar semanas para ficar limpa. Isso é normal.
Formato de A com pestana
O outro formato essencial de pestana usa o shape do A aberto:
- Dedo 1 faz pestana
- Dedos 2, 3 e 4 formam o shape de A nas casas seguintes
Com pestana na 2ª casa: Si maior (B). Na 3ª casa: Dó maior (C). Na 5ª casa: Ré maior (D).
Com esses dois formatos de pestana (E e A), você consegue tocar qualquer acorde maior ou menor em qualquer lugar do braço.
Progressões de acordes famosas
Agora que você conhece os acordes, vamos juntá-los em sequências que aparecem em milhares de músicas:
I - V - vi - IV (a progressão mais popular do mundo)
Em Dó maior: C - G - Am - F
Essa progressão está em "Let It Be" (Beatles), "No Woman No Cry" (Bob Marley), "Someone Like You" (Adele), "Hear Me" (Imagine Dragons), e literalmente centenas de outras músicas. Domine essa sequência e você terá um repertório enorme à disposição.
I - IV - V (blues e rock clássico)
Em Mi maior: E - A - B7
A base do blues de 12 compassos e de boa parte do rock and roll clássico.
vi - IV - I - V
Em Lá menor: Am - F - C - G
Variação da progressão pop que dá um tom mais dramático, começando pelo acorde menor.
ii - V - I (jazz e bossa nova)
Em Dó maior: Dm - G - C
A progressão mais importante do jazz, e muito usada na bossa nova e MPB brasileira.
Dica
Pratique essas progressões com ritmos diferentes. Uma mesma sequência de acordes pode virar rock, reggae, pop ou balada dependendo do ritmo que você toca.
Prática com equipamento acessível
Estudar acordes pode parecer monótono quando você toca sem nenhum efeito ou referência sonora. Um setup simples pode transformar suas sessões de prática em algo muito mais motivador.
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Dicas finais para o estudo de acordes
Consistência supera intensidade. Quinze minutos todos os dias rendem mais do que três horas no fim de semana. Seus dedos precisam de repetição diária para criar memória muscular.
Toque músicas de verdade. Busque cifras de músicas que você gosta e que usem os acordes que está aprendendo. Nada motiva mais do que tocar uma música inteira pela primeira vez.
Grave-se tocando. Use o celular para gravar vídeos curtos da sua prática. Assistir depois revela problemas de postura e técnica que você não percebe na hora.
Cuide das mãos. Se os dedos doerem muito, pare e descanse. A dor muscular é normal nas primeiras semanas, mas dor aguda nas articulações não é. Alongue os dedos antes e depois de tocar.
Aprenda a ler cifras. O sistema de cifras é universal no Brasil — A=Lá, B=Si, C=Dó, D=Ré, E=Mi, F=Fá, G=Sol. Quanto mais cedo você se familiarizar, mais rápido vai aprender músicas novas.
O próximo passo depois dos acordes básicos é entender como eles se relacionam dentro de uma tonalidade. É aí que entra o estudo do campo harmônico — a lógica por trás de por que certos acordes soam bem juntos. Com essa base, a teoria musical deixa de ser um mistério e vira uma ferramenta prática.