Veredito antes de tudo
O Tank-B é a versão para baixo do Tank-G, e resolve um problema específico: dar ao baixista uma pedaleira de chão, com footswitch e bateria interna, sem passar dos R$ 450. Nessa faixa de preço, praticamente não existe concorrência dedicada a baixo no Brasil — o que existe é pedaleira de guitarra que "também serve".
Compre se você ensaia com banda, toca em bar ou igreja e precisa trocar de som com o pé, sem tirar a mão do instrumento.
Não compre se o seu uso é estudar de fone e gravar em casa sentado. Para isso o Cube Baby Bass faz o mesmo trabalho de preamp por metade do preço, e é o que a maioria dos baixistas deveria comprar primeiro.
O que vem dentro
A arquitetura é a mesma do Tank-G, com os modelos trocados para baixo:
- 36 presets de fábrica, editáveis
- 9 slots de preamp — as simulações de cabeçote
- 8 slots de IR de gabinete, com carregamento de IR customizado
- Blocos de modulação, delay e reverb
- Compressor — o que mais importa em baixo, e voltamos nisso já já
- Bluetooth para editar pelo celular
- Saída USB, que permite gravar direto no computador
- Bateria recarregável de 3000 mAh
A bateria interna é o item que mais muda a vida no dia a dia e quase ninguém considera na hora da compra. Ensaio em garagem sem tomada sobrando, passagem de som apertada, aquele show em que o único filtro de linha já está ocupado pelo teclado — nessas horas, um aparelho que liga sozinho vale mais do que dois presets a mais.
Compressor: o motivo real de comprar
Baixo tem uma faixa dinâmica que guitarra não tem. Entre uma nota tocada com o polegar e um pop de slap existe uma diferença de volume que, sem tratamento, faz a linha de baixo sumir e reaparecer na mixagem.
O compressor é o que resolve isso, e é a diferença mais audível entre um baixo amador e um baixo profissional numa gravação — mais do que o instrumento, mais do que o amplificador. Ter compressor decente embutido, no mesmo aparelho que já faz preamp e IR, é o argumento mais forte do Tank-B.
Ponto de partida que funciona na maioria dos casos:
- Slap e funk: compressão firme, para que o pop não estoure e a nota fundamental não desapareça
- Fingerstyle: compressão moderada, o suficiente para nivelar sem matar a articulação
- Palheta e rock: compressão leve, deixando o ataque passar
Dica
Ajuste o compressor com a banda tocando, nunca sozinho no quarto. Compressão que soa perfeita no silêncio quase sempre está exagerada quando entra bateria.
IR de gabinete: onde o som melhora de verdade
Os 8 slots de IR são a parte mais subestimada do aparelho. IR é o arquivo que carrega a resposta acústica de um gabinete real microfonado — um 8x10 clássico, um 4x10 mais moderno, um 1x15 mais gordo.
Trocar a IR muda mais o seu som do que trocar o modelo de preamp. As IRs de fábrica são aceitáveis; uma IR boa carregada no lugar delas é o que faz o Tank-B soar como equipamento de gente grande direto na mesa de som. Onde achar pacotes, inclusive gratuitos, está em melhores presets M-VAVE e onde baixar.
A edição e o carregamento de IR são feitos pelo app no celular ou pelo M-EFCS no computador — o editor da marca para as pedaleiras de chão. Não confunda com o CubeSuite, que atende o Cube Baby e a linha de pedal compacto.
Tank-B ou Cube Baby Bass?
É a dúvida que mais aparece, e a resposta é quase sempre a mesma pergunta: você toca sentado ou em pé?
| Cube Baby Bass | Tank-B | |
|---|---|---|
| Formato | Cabe na palma da mão | Pedaleira de chão |
| Formato de uso | De mesa, na sua frente | De chão, controlado com o pé |
| Bateria interna | Sim | Sim |
| Preço | R$ 175–230 | R$ 310–450 |
| Melhor para | Estudo, gravação em casa | Ensaio, palco |
Os dois partem da mesma ideia de preamp mais IR. O que você paga a mais no Tank-B é o formato de chão, o controle com o pé e a contagem maior de efeitos — não um salto de qualidade sonora. A comparação completa, com o setup de pedais em volta, está em M-VAVE para baixo.
Limitações honestas
Nada aqui é defeito de fabricação; é o que se espera de um aparelho nessa faixa:
- 36 presets é pouco se você é do tipo que cria um patch por música. Dá para trabalhar por banco, mas quem vem de pedaleira grande vai sentir.
- A edição pela tela do aparelho é limitada. O fluxo bom é editar pelo celular ou pelo computador e usar o pedal só para chamar o que já está pronto.
- Não é equipamento de estrada pesada. Para ensaio, bar e igreja, aguenta. Para turnê com montagem e desmontagem diária durante anos, a construção não é dessa categoria.
- Sem assistência técnica própria da marca no Brasil. A garantia passa pelo vendedor — guarde a nota. O contexto está em site oficial da M-VAVE no Brasil.
Quanto custa e onde comprar
Conferido em julho de 2026: o Tank-B aparece por volta de R$ 389 na loja oficial da marca no Brasil e chega a R$ 573 em revenda. Na Amazon, o modelo irmão de guitarra saía por menos que o preço da loja oficial, então vale comparar antes de fechar.
A faixa realista hoje é R$ 310 a R$ 450. Acima disso, você está pagando margem de lojista; abaixo, desconfie da procedência.
Nota
Preço de equipamento importado oscila com câmbio e com estoque. A faixa acima vale para o momento desta publicação — confira o valor do dia antes de decidir.
Para quem faz sentido
O Tank-B ocupa um espaço bem definido: baixista que já passou da fase de estudar sozinho, entrou numa banda ou começou a tocar na igreja, e precisa de algo que ligue direto na mesa de som e mude de patch com o pé — sem gastar o preço de uma pedaleira de marca consagrada, que na prática custa três a cinco vezes mais.
Não é o equipamento que vai te acompanhar a vida inteira. É o que resolve o problema de agora por um preço que não dói, e que continua útil como preamp de reserva mesmo depois que você subir de categoria.
Três ajustes que resolvem a maioria dos casos
Não adianta ter 36 presets se você nunca sai do primeiro. Estes três pontos de partida cobrem quase todo repertório de baixo:
Rock e pop, tocando com os dedos. Preamp limpo com um pouco de médio realçado, IR de 4x10, compressão leve. O objetivo é que o baixo apareça na mixagem sem brigar com o bumbo. Corte um pouco abaixo dos 60 Hz — o que você perde de peso no fone, ganha de definição na caixa.
Slap e funk. Compressão mais firme, EQ em sorriso (graves e agudos realçados, médios recuados) e IR de 8x10. É o único caso em que recuar o médio ajuda: o ataque do polegar e o estalo do pop precisam de espaço nos extremos.
Rock pesado com palheta. Um pouco de drive no preamp, médios presentes, compressão leve para deixar o ataque passar. Baixo distorcido some fácil na mixagem — o que segura ele é o médio, não o grave.
Dica
Faça o ajuste final com fone e com caixa, se puder. Som de baixo mente muito no fone: o que parece encorpado ali costuma virar barulho embolado no ambiente.
O que colocar em volta dele
O Tank-B resolve preamp, gabinete e efeitos, mas não é o setup inteiro:
- Afinador dedicado se você troca de afinação no meio do show. Depender do afinador embutido significa entrar no menu com a banda esperando.
- Cabo bom. Baixo é sensível a cabo ruim, e um cabo de dez reais anula boa parte do que você ganhou com IR decente.
- Fone fechado para ensaiar sem incomodar. Fone aberto vaza grave e engana no ajuste.
Perguntas frequentes
O Tank-B serve para guitarra?
Serve, mas não é o ideal. Os preamps e IRs são modelados em gabinete de baixo. Para guitarra, o modelo certo é o Tank-G, que custa praticamente o mesmo.
Dá para ligar direto na mesa de som?
Sim, é a proposta. Com a simulação de gabinete ligada, você entrega à mesa um sinal que já soa como baixo microfonado.
Funciona como interface para gravar no computador?
Sim, pela conexão USB. Para gravação séria, considere capturar também o sinal limpo em paralelo — assim quem mixa decide depois qual usar.
Quanto dura a bateria?
A bateria é de 3000 mAh. Na prática cobre ensaio e show sem preocupação; para uso o dia inteiro, leve o cabo.
Vale mais que o Cube Baby Bass?
Vale se você precisa de uma pedaleira de chão. Se toca sentado, não — o Cube Baby Bass faz o mesmo trabalho de preamp por metade do preço.
Tem pedal de expressão?
Não. Se você precisa de volume ou wah com o pé, precisa olhar modelos maiores da linha.
Como carrego IRs novas nele?
Pelo app no celular ou pelo M-EFCS no computador, que é o editor das pedaleiras de chão da marca. Os dois saem da página de download oficial.

