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Curiosidades

10 Guitarristas que Mudaram a História da Música

7 de janeiro de 202612 min de leitura
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1. Jimi Hendrix — O Arquiteto do Impossível

Hendrix não tocava guitarra — ele reinventava o instrumento a cada performance. Canhoto tocando guitarras de destro viradas ao contrário, usava feedback, distorção e wah-wah como elementos musicais, não como ruído. Antes dele, feedback era um problema técnico. Depois dele, era uma ferramenta artística.

Em apenas quatro anos de carreira (1966-1970), Hendrix expandiu o vocabulário da guitarra elétrica mais do que qualquer outro músico em qualquer período. "Purple Haze" introduziu o intervalo de trítono no rock mainstream. "The Star-Spangled Banner" em Woodstock transformou ruído em protesto político. "Little Wing" provou que agressividade e delicadeza podiam coexistir na mesma música.

Equipamento icônico: Fender Stratocaster, Marshall plexi, Fuzz Face, Uni-Vibe, Cry Baby wah.

Legado: Todo guitarrista que usa feedback, bends expressivos ou fuzz deve algo a Hendrix. Ele não abriu uma porta — derrubou a parede inteira.

2. Jimmy Page — O Produtor com Guitarra

Jimmy Page era mais do que um guitarrista virtuoso — era um visionário sonoro. Como produtor e guitarrista do Led Zeppelin, ele tratava o estúdio como instrumento. A técnica de gravar amplificadores com microfones distantes ("ambient miking") em "When the Levee Breaks" mudou a forma como música é produzida até hoje.

Seu riff de "Whole Lotta Love" é uma masterclass em como usar espaço e silêncio. O solo de "Stairway to Heaven" é estudado nota por nota por gerações de guitarristas. E sua habilidade de alternar entre acústico e elétrico, entre delicadeza folk e brutalidade do riff, definiu o que uma banda de rock poderia ser.

Equipamento icônico: Gibson Les Paul Standard, Marshall Super Lead, Supro amplifier, Tone Bender, theremin, violão com arco de violino.

Legado: Inventou o template do guitar hero do rock: riffs pesados, solos épicos, experimentação em estúdio. O hard rock e o metal existem em grande parte por causa dele.

3. Eric Clapton — A Voz do Blues no Rock

"Clapton is God" — a frase pixada nos muros de Londres nos anos 60 não era hipérbole, era reflexo do impacto que Eric Clapton teve ao trazer o blues elétrico americano pra juventude britânica. Com os Bluesbreakers, Cream e Derek and the Dominos, Clapton traduziu a linguagem de B.B. King, Robert Johnson e Muddy Waters pra uma audiência que nunca tinha ouvido o original.

Seu tom — quente, sustentado, expressivo — se tornou referência. O "woman tone" (captador do braço, tone zerado, Marshall no talo) é um dos timbres mais imitados da história. E a evolução da sua carreira, do blues pesado ao unplugged intimista, mostrou que versatilidade não significa falta de identidade.

Equipamento icônico: Gibson SG/Les Paul (período Cream), Fender Stratocaster "Blackie", Marshall Bluesbreaker, Fender Twin.

Legado: A ponte entre blues e rock. Sem Clapton, talvez o rock nunca tivesse reconhecido sua dívida com o blues.

4. B.B. King — O Rei do Vibrato

B.B. King não precisava de velocidade. Com uma nota e aquele vibrato inconfundível — largo, controlado, cheio de alma — ele dizia mais do que a maioria dos guitarristas diz com cem. Sua filosofia era: "É importante tocar o que o público quer ouvir. Mas também é importante tocar o que o público precisa ouvir."

King desenvolveu um estilo de blues urbano, sofisticado e emocional que influenciou absolutamente tudo que veio depois. Ele raramente tocava acordes — era um melodista puro, conversando com a plateia através de Lucille (sua Gibson ES-355). Cada nota tinha intenção. Cada bend carregava história.

Equipamento icônico: Gibson ES-355 "Lucille", Lab Series L5 amplifier, Gibson ES-335.

Legado: Inventou o vibrato de guitarra como conhecemos. Provou que expressão importa mais que técnica bruta. Cada guitarrista de blues que vibrante uma nota está pagando tributo a B.B. King.

5. Eddie Van Halen — A Revolução Técnica

"Eruption". Um minuto e quarenta e dois segundos que redefiniram o que era fisicamente possível na guitarra. Quando Van Halen lançou o primeiro álbum em 1978, guitarristas pelo mundo inteiro ouviram "Eruption" e pensaram: "Como?"

Tapping com as duas mãos não era invenção de Eddie — mas ele foi o primeiro a usar como técnica musical fluida, não como truque de circo. Além do tapping, Van Halen trouxe harmônicos artificiais, uso extremo da alavanca, trêmolo picking em velocidades absurdas e, acima de tudo, um senso de diversão e energia que faltava no rock progressivo pomposo dos anos 70.

Ele também era inventor: o "brown sound" (Marshall modificado, Variac pra baixar a voltagem, captador que ele mesmo construiu na Stratocaster) não existia antes dele. A Frankenstrat — uma guitarra montada com partes de Fender e Gibson — inspirou a indústria inteira a repensar o design de guitarras.

Equipamento icônico: "Frankenstrat", Marshall Plexi, MXR Phase 90, MXR Flanger, Eventide Harmonizer.

Legado: Criou o rock técnico moderno. Depois de Van Halen, guitarristas precisaram evoluir tecnicamente ou encontrar outro caminho pra se destacar.

6. Stevie Ray Vaughan — Fogo Puro no Texas

SRV pegou o blues de Albert King, Hendrix e Lonnie Mack, colocou cordas .013 numa Stratocaster e tocou com uma intensidade que parecia humanamente impossível. A força do seu ataque, combinada com sensibilidade melódica de primeiro nível, criou um som que nenhum equipamento consegue replicar sozinho — vinha das mãos.

"Texas Flood", gravado ao vivo praticamente, soa como se o amplificador fosse explodir a qualquer momento. A versão de "Little Wing" de Hendrix é uma das poucas covers que homenageia o original sem ser mera cópia. E "Pride and Joy" é shuffle do Texas em sua forma mais pura e visceral.

Equipamento icônico: Fender Stratocaster "Number One", Ibanez Tube Screamer, Fender Vibroverb, Marshall, Dumble.

Legado: Reviveu o blues nos anos 80, provou que o gênero não era relíquia — era atemporal. O Tube Screamer virou lenda em parte por causa dele.

7. David Gilmour — O Mestre do Espaço

Gilmour toca poucas notas. Mas cada uma delas carrega o peso de uma galáxia. Seu approach é o oposto de Van Halen: onde Eddie preenchia cada milissegundo com técnica, Gilmour deixava o silêncio falar. O espaço entre as notas é tão importante quanto as notas em si.

Os solos de "Comfortably Numb", "Time" e "Shine On You Crazy Diamond" estão entre os mais emocionantes da história do rock — não pela complexidade técnica, mas pela profundidade emocional. Cada bend é calibrado com precisão cirúrgica. Cada nota de sustain é uma escolha consciente.

Equipamento icônico: Fender Stratocaster "Black Strat", Hiwatt amplifier, Big Muff, Electro-Harmonix Electric Mistress, Binson Echorec.

Legado: Provou que menos é mais. Que timbre e emoção importam mais que velocidade. O guitarrista dos guitarristas.

8. Slash — O Último Guitar Hero Clássico

Quando "Appetite for Destruction" saiu em 1987, o rock estava atolado em hair metal com guitarristas idênticos usando técnicas idênticas. Slash cortou tudo isso com riffs diretos, solos melódicos e uma atitude que remetia aos anos 70 — mais Keith Richards do que Yngwie Malmsteen.

O riff de "Sweet Child O' Mine" — que nasceu como exercício de aquecimento — é provavelmente o riff mais reconhecível dos últimos 40 anos. "November Rain", "Paradise City", "Welcome to the Jungle" — cada música tem um solo que conta uma história.

Equipamento icônico: Gibson Les Paul, Marshall JCM800, Dunlop Cry Baby, Boss DD-3, cartola e cigarro.

Legado: Manteve viva a tradição do guitar hero baseado em feeling num mundo que caminhava pro shred sem alma. Fez a Les Paul + Marshall voltar a ser cool.

9. Tom Morello — A Guitarra como Máquina

Tom Morello olhou pra guitarra e viu uma máquina de ruído, um sintetizador, um turntable de DJ. Com o Rage Against the Machine, ele criou sons que ninguém imaginava ser possível com seis cordas: scratches de DJ usando o kill switch, sons de helicóptero com o toggle switch, feedback controlado como instrumento melódico.

Formado em ciência política em Harvard, Morello trouxe intelecto e propósito pra guitarra. Cada som experimental servia à música e à mensagem. "Killing in the Name", "Bulls on Parade", "Guerrilla Radio" — os riffs são tão revolucionários quanto as letras.

Equipamento icônico: "Arm the Homeless" (guitarra custom), Marshall JCM800, Digitech Whammy, Boss DD-2, Cry Baby.

Legado: Expandiu o vocabulário da guitarra pra territórios que não existiam antes. Provou que inovação não exige equipamento caro — exige criatividade.

10. St. Vincent (Annie Clark) — O Futuro é Agora

Annie Clark, como St. Vincent, representa a evolução contínua da guitarra. Sua abordagem combina art rock, eletrônica, jazz e experimentalismo num pacote que soa completamente original. Os riffs de "Birth in Reverse" e "Digital Witness" são angulares, dissonantes e viciantes ao mesmo tempo.

Clark foi a primeira mulher a ter uma guitarra signature com a Ernie Ball Music Man, desenhada especificamente pra ser confortável no corpo feminino — algo que a indústria ignorou por décadas. Além de guitarrista, é compositora, produtora e performer completa.

Equipamento icônico: Ernie Ball Music Man St. Vincent signature, Electro-Harmonix POG, Boss OC-3, vários fuzzes e distorções.

Legado: Mostra que a guitarra não é relíquia do passado — é instrumento do futuro. Combina virtuosismo com visão artística de um jeito que abre caminhos pra novas gerações.

O Que Esses Guitarristas Têm em Comum

Olhando pra essa lista, um padrão emerge: nenhum deles ficou famoso por ser "o mais rápido" ou "o mais técnico". Cada um encontrou uma voz única — um som, uma abordagem, uma filosofia que era inconfundivelmente deles.

Hendrix usava feedback como melodia. Gilmour usava silêncio como instrumento. Morello usava ruído como ritmo. B.B. King usava uma nota onde outros usariam vinte. Van Halen usava técnica a serviço da diversão, não do ego.

O equipamento importa — e cada um desses guitarristas tinha uma relação íntima com seu setup. Mas o que realmente os separava era visão: a capacidade de ouvir algo que ainda não existia e encontrar um jeito de fazer existir.

A próxima revolução da guitarra pode vir de qualquer lugar. De alguém com uma Stratocaster barata e um pedal de overdrive num quarto de apartamento. O instrumento está esperando. A história ainda está sendo escrita.

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